POR UM BRASIL PÓS ELEIÇÃO MAIS DIGNO
Tenho uma sólida confiança nos destinos futuros da sociedade brasileira, apesar dos últimos acontecimentos do STF e de patifarias vorcarianas. Certa feita, num dos seus pronunciamentos balizadores, Martin Luther King afirmou com total convicção:
Hoje, nesta noite do mundo e na esperança da Boa Nova, afirmo com audácia minha fé no futuro da humanidade. Nego-me a concordar com a opinião daqueles que acreditam que o homem é, até certo ponto, cativo da noite sem estrelas, do racismo e da guerra, e que a radiante aurora da paz e da fraternidade jamais será uma realidade. Creio firmemente que, mesmo entre os obuses que atiram e canhões que ressoam, permanece a esperança de um radiante amanhecer. Atrevo-me a acreditar que um dia todos os habitantes da Terra poderão ter três refeições por dia para a vida do seu corpo, educação e cultura para o aprimoramento de seu espírito, igualdade e liberdade para a vida de seu coração. Creio também que um dia toda a humanidade reconhecerá em Deus a fonte do seu amor.
Nas últimas duas décadas, múltiplas alterações dos cenários econômicos e sociais ocorreram no mundo inteiro. E inúmeras dessas mudanças provocaram mais angústias que esperanças, posto que foram implementadas sem uma atenção acurada sobre aspectos não financeiro-contábeis. Inúmeras empresas, preocupadas com a necessidade de redução de seus custos, e ainda com a urgência em melhorar a qualidade dos seus produtos e serviços, com o surgimento de novas oportunidades mercadológicas e com a busca pela ampliação incessante da produtividade, que favorecesse uma mais confortável posição competitiva, cometeram grosseiros erros estratégicos. E os principais foram citados por John P. Kotter, em seu livro Liderando Mudança:
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Permitir complacência excessiva – não estabelecer, entre gerentes e subordinados, um senso de urgência, muitas vezes confundindo urgência com ansiedade, criando resistências sólidas.
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Falhar na criação de uma coalizão administrativa forte, abstraindo competências e carismas, sem acumular qualidades necessárias para ultrapassar tradições e inércias.
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Subestimar o poder da visão – uma visão sensata é o fator mais importante num processo de transformação nacional.
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Comunicar a missão de forma ineficiente, efetivando poucas reuniões ou enviando apenas alguns memorandos, gastado muito tempo com discursos, enquanto as chefias intermediárias permanecem em silêncio; possibilitar o crescimento de um ceticismo geral, minando a confiança estabelecida com as promessas efetivadas.
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Permitir que obstáculos bloqueiem a nova visão – um obstáculo pode interromper todo um processo de mudança, principalmente quando se trata da própria estrutura do país.
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Falhar no fomento de vitórias a curto prazo – as reais transformações levando tempo, embora se saiba que, sem vitórias a curto prazo, muitos desanimam ou resistem ativamente.
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Declarar vitória prematuramente – contar com o ovo ainda no fiofó da galinha pode tornar-se um erro estratégico irreversível.
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Negligenciar a incorporação sólida de mudanças à cultura corporativa – sem enraizamentos, haverá deteriorações, tão logo sejam abandonadas as pressões utilizadas no processo de mudança.
As principais consequências dos erros acima são enumeradas pelo próprio Kotter:
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Estratégias não são implementadas corretamente.
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Aquisições não alcançam os efeitos esperados.
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Numa reestruturação organizacional lenta e dispendiosa, os custos não são mantidos sob controle e os programas não apresentam os resultados pretendidos.
Somente a partir de uma crescente assimilação dos balizamentos acima, a Nação Brasileira compreenderá os versos da Cora Coralina, uma poetisa que não tinha o curso primário completo, mas era uma cidadã que refletia otimamente os sentimentos do Mundo:
O tempo muito me ensinou,
ensinou a amar a vida,
não desistir da luta,
recomeçar na derrota,
renunciar a pensamentos negativos,
acreditar nos valores humanos.
Ser otimista.
